Uma Pessoa Só

UMA PESSOA SÓ

Exposição e evento multidisciplinar (2015)

“Um artista precisa ser como Jean Cocteau. Necessita ser muitas pessoas ao mesmo tempo e não apenas uma.” – Alejandro Jodorowsky

A obra plástica de Arnaldo Dias Baptista é simetricamente diversa e complexa em termos de enquadramento. Aquilo que ora pode ser observado como expressão máxima de uma consciência que verte, psicossomaticamente, cenas fantásticas e de exuberância criativa livre de normatização também poderia ser caracterizado como uma combinação do representativo, do absurdo, do irreal e do inconsciente – metodologia típica dos surrealistas.

Acontece que os elementos compositivos que Arnaldo imprime em suas imagens não se encerram por aí. O humor e o cientificismo também integram a produção do artista, que já chegou a afirmar que a melhor maneira de investigar como as coisas são, sejam elas naturais, sociais, artificiais ou conceituais, é pela adoção do método científico, combinado à poesia da circunstância criada na composição.

O produto dessa investigação visual é uma vasta gama de situações onde é perceptível a oscilação entre o cômico e o idílico, sendo o primeiro aspecto um dos eixos da ruptura na concepção de OEuvre d’art provocada por Marcel Duchamp. O humor é um instrumento de rebelião e libertação, que na obra de Arnaldo opera em benefício de uma construção menos austera e mais gentil da realidade.

Ainda que, a primeira vista, o trabalho evoque a extravagancia cromática, percepção sinestésica do mundo e inversão de planos presentes na estética psicodélica, no prisma criativo de Arnaldo não é possível encontrar o arquétipo do artista divorciado do mundo e fiel apenas aos imperativos de sua obra. Arnaldo desenvolve sua produção visual como um homem-artista liberto em relação a sua época, realidade, normas, técnicas e gosto de seu tempo. Acima de tudo, Arnaldo é contemporâneo e sua produção expressa o sumo de sua relação com o mundo.

Enquanto artista visual, Arnaldo Dias Baptista se prostra frente ao Universo e esse

encontro determina os símbolos que se articulam pelos sentidos em imagens sensíveis. A linguagem híbrida e transestética revelada na produção aqui exposta comunica, acima de tudo, a dependência de um sentido em relação a outro: o sincretismo da obra musical com a metáfora visual em favor da utopia – a plenitude perceptiva e renúncia a um sistema isolado de assimilação dos fenômenos. O traquejo nas múltiplas manifestações da linguagem em favor da comunicação maior – numa pessoa só.

A tradução da mundividência do artista em obra visual é apresentada na forma de um convite à experimentação lúdica dos diversos campos do conhecimento humano: O próprio Jodorowsky, advogado do casamento da ciência com o espírito, coloca que o artista contemporâneo não deverá ser o aflito e íntimo das mazelas da existência, mas sim o sábio cientista que se educa ao experienciar as possibilidades da vida. Parece que disso Arnaldo sempre soube.

Curadora Mariana Coggiola

 

 A mostra envolveu espaço expositivo das obras visuais de Arnaldo Dias Baptista; exibição do documentário Loki! Arnaldo Baptista, direção Paulo Henrique Fontenelle, produção Canal Brasil; exibição do curta Maldito Popular Brasileiro, de Patrícia Moran; curso ministrado por Cassiano Reis, oferecendo um panorama cronológico da história da psicodelia no Brasil; performance do artista Juliano Gauche, tocando faixas do álbum Loki? (1974), primeiro solo de Arnaldo Baptista, e  VJ set de Astronauta Mecânico.

 

Uma Pessoa Só – Arnaldo Dias Baptista

Epicentro Cultural

10 de abril a 22 de maio de 2015

São Paulo – SP

 

O Epicentro Cultural é um espaço de criação e circulação de artes visuais, música e atividades culturais. A casa promove shows de música autoral, exposições de arte, atividades educativas e eventos multilinguagem em tempo real.